Último domingo o coitado do meu pai perdeu dinheiro. Teria sido melhor ele fazer aviãozinho com notas de cinquenta para ver quem conseguia ir mais longe. Mas foi pior, comprou quatro ingressos para vermos a peça “Amo-Te”, que esteve em Belém último fim de semana, com Daniele Winits e Daniel Dantas. Definitivamente a pior peça que já vi na minha vida, e olha que não foram poucas. Barrou o Beijo da Mulher Aranha (que apesar de tudo tinha Cláudia Raia, com seu talento indiscutível).
História de dois personagens os quais namoraram e agora estão separados, e que conversam e discutem sobre sua relação. Um argumento até legal, se não fosse a péssima realização. Eu já sabia que Daniel Dantas só tem um personagem, ele é sempre aquela mesma coisa em tudo o que ele faz, e aqui continua igual, mas pelo menos estudou alguma coisa de teatro, tem expressão corporal e uma voz boa. Já sua companheira de palco, coitada, além de limitadíssima como atriz, fala como se estivesse com um microfone em cima da cabeça, no Projac. Sua voz é péssima, muitas vezes incompreensível, e quando não, parece forçada e artificial.
Em relação ao texto, deu até para perceber o que ele quis ser, mas pelo menos para mim (sei que teve muita gente que achou isso o supra-sumo do legal, normal, cada qual com seu gosto), passou longe. Além da transferência negativa que desenvolvi com a personagem de Daniele. O texto, que tenta ser engraçado e reflexivo, é pobre, chulo, mal escrito, não tem comédia nem romance. Não sei o que tem na verdade, talvez só ruindade mesmo.
O pior da peça é quando os personagens relatam uma peça que querem escrever, que é o retrato de tudo que nos foi apresentado até agora, um casal separado conversa sobre a relação depois que a ex volta para pedir ajuda, pois apanhou do atual. (sim, além de tudo ela é mulher de malandro), e esse casal escreve uma peça sobre outro casal que também resolve escrever uma peça sobre um casal... Se alguém quer usar a expressão “encher lingüiça” encontrou onde nelhor empregá-la.
Para finalizar, a cenografia é péssima. Toda a concepção de cenário, de movimentação de palco, de arrumação e deslocamento do cenário foi muito infeliz.
Resumidamente, uma grande porcaria, que foi além de uma perda de dinheiro, de tempo também.
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